Gilmar Teixeira
Nego Ivan, o melhor lateral da cidade
Nego Ivan - Lateral Esquerdo da Seleção de Paulo Afonso nos anos 70/80Toda cidade tem seus heróis. Uns vestem farda, outros jaleco, mas em Paulo Afonso sempre houve aqueles que ganharam eternidade com uma bola nos pés. Entre eles, um nome ecoa com saudade e sorriso: Nego Ivan, o lateral da cidade.

Desde menino já dava sinais de que não seria jogador comum. Onde tivesse pelada, lá estava ele, descalço, com a camisa suada, correndo mais do que todo mundo. No campo de terra em frente ao terreiro de Zé Índio, atrás do matadouro de Zé Grande, reinava absoluto. No campinho da Libanesa, era rei absoluto. Quem via, dizia logo: “Esse menino nasceu com o destino na chuteira.”

Não demorou para os clubes de Paulo Afonso o descobrirem. Portuguesa, Caveira, Cruzeiro do Torquato… todos queriam contar com aquela raça e velocidade. Mas o talento não ficou preso às margens do Velho Chico. Veio gente de fora, olheiros atentos, e um dia a notícia se espalhou como foguete: Ivan foi para o Santa Cruz de Recife!

Na capital pernambucana, vestiu a camisa tricolor e jogou ao lado de feras como Givanildo, Luciano e Ramon. Para qualquer um já seria suficiente, mas Ivan não se contentava em ser coadjuvante. Queria campo, queria bola no pé, queria espaço para correr. Foi para o CRB de Alagoas e ali virou lateral ofensivo, dinâmico, cheio de histórias que até hoje rendem boas gargalhadas.

Reza a lenda que, emprestado ao Porto Calvo, antes mesmo de pisar no gramado já tinha fama. Ao desembarcar na rodoviária, o engraxate da cidade cravou:
— Chegou o craque que vai mudar o nosso time.
Dito e feito. Na estreia contra o ASA de Arapiraca, gol e duas assistências. O povo o abraçou como ídolo, daqueles que parecem sair das páginas de cordel.
Mas, naquela época, o futebol nordestino não enchia bolso de ninguém. O salário mal dava para segurar a chuteira. Ivan, então, decidiu voltar para a terra natal. E foi em Paulo Afonso que se encontrou de verdade: trabalhou na CHESF, sonho de estabilidade de muitos, e jogava livre, feliz, entre amigos e torcidas que gritavam seu nome.

No Ruberleno, seu apelido ecoava em coro:
— Negoooo Ivaaaan!
E lá vinha ele, calção no umbigo, preparo físico de invejar qualquer atleta e cruzamento certeiro para os atacantes. Quem jogou na frente dele que o diga: Duda, Miro, Tonho de Eusébio… muitos deslancharam para a fama com seus passes precisos.
Raçudo, valente, até as resenhas entraram para a lenda: dizem que antes mesmo de Suárez morder zagueiro em Copa do Mundo, Nego Ivan já mordia o adversário na corrida, coisa de cabra diferenciado.

Quando pendurou as chuteiras, não largou o futebol. Virou treinador e levou times da cidade e até a Seleção de Paulo Afonso a grandes campanhas, chegando ao vice do Intermunicipal — feito respeitável, lembrado até hoje.

Hoje, vivendo em Maceió, continua sendo aquele contador de histórias que transforma qualquer mesa em arquibancada. De volta a Paulo Afonso, encontra os amigos da CHESF e dos tempos de bola, e cada roda vira resenha. Se a história é verdadeira ou inventada, ninguém sabe ao certo. Mas uma coisa é garantida: com Nego Ivan, a risada corre solta até o amanhecer.
E assim, ele segue, eterno lateral da cidade, ídolo nos gramados, mestre nas memórias e craque na arte de ser querido.
Viva Nego Ivan, o craque do nosso futebol!
* Gilmar Teixeira






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