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Paulo Afonso,06/11/2026

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Dedé Montalvão

QUANDO PENSEI QUE JÁ TINHA VISTO DE TUDO... A Política Brasileira e o Perigoso Delírio dos "Presidentes Imaginários"

📸: Dedé Montalvão
QUANDO PENSEI QUE JÁ TINHA VISTO DE TUDO... A Política Brasileira e o Perigoso Delírio dos

Confesso que, ao longo de anos dedicados à observação e ao registro da vida pública, imaginava já ter presenciado de tudo na política brasileira. Vi candidatos proclamarem vitórias antes mesmo da apuração das urnas, derrotados recusarem o resultado das urnas, discursos inflamados e narrativas das mais variadas espécies. No entanto, a nossa política parece sempre encontrar um jeito de superar a própria ficção.


Desta vez, a surpresa veio em forma de farsa: a autoproclamação de uma espécie de "presidente imaginário" — um cargo inexistente, gerado por uma fuga da realidade que desafia qualquer lógica do bom senso e que, como diria o ditado popular e em tom de pura ironia, nem a psicanálise de Freud consegue explicar.


A Democracia Não É Um Universo Paralelo

Independentemente de correntes ideológicas ou preferências partidárias, a democracia possui regras rígidas, públicas e inegociáveis. No Brasil, o cargo de Presidente da República pertence àquele que conquista o sufrágio popular, recebe o diploma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e presta juramento à Constituição perante o Congresso Nacional.


Fora desse caminho institucional, qualquer tentativa de autoproclamação não passa de teatro político, delírio de militância ou manifestação pessoal destituída de qualquer efeito jurídico.


A política não pode se transformar em um universo paralelo onde desejos individuais substituem fatos consumados e narrativas falsas tentam anular a realidade. Quando toleramos esse tipo de desatino, abrimos as portas para a desinformação crônica, para a confusão institucional e para a corrosão da credibilidade democrática.


Fatos, e Não Fantasias

A democracia exige respeito incondicional às urnas, às leis e às instituições, tanto na hora de celebrar a vitória quanto na altivez de aceitar a derrota. É perfeitamente legítimo e natural que existam divergências, críticas e debates acalorados.


O que se torna inadmissível e tóxico para a República é a criação de realidades alternativas, onde títulos e cargos públicos existem apenas na imaginação fértil de quem os reivindica ou de seus seguidores alienados. Sociedades sólidas e prósperas são construídas sobre fatos objetivos, e nunca sobre fantasias totalitárias.


O debate público precisa ser duro, crítico e fiscalizador quando necessário, mas deve estar ancorado na realidade concreta e no estrito cumprimento do Estado de Direito.


Conclusão: Menos Personagens, Mais Realidade

Como cidadão, jornalista e observador incansável da vida pública, continuo acreditando que a política deve servir exclusivamente ao povo, e não ao ego inflado de lideranças inconformadas. O Brasil precisa de menos personagens imaginários e de muito mais estadistas comprometidos com a Constituição, com a verdade dos fatos e com a solução dos problemas reais da população.


Porque, sinceramente, quando pensei que já havia visto de tudo neste mundo de meu Deus, a política brasileira resolveu provar, mais uma vez, que a criatividade humana para o absurdo realmente não tem limites.


José Montalvão


Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).



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