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Paulo Afonso,21/05/2026

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Gilmar Teixeira

O Dia das Fotografias e o Sabor da Cidade Grande

Gilmar Teixeira
O Dia das Fotografias e o Sabor da Cidade Grande

No começo dos anos 60, nossa família ainda vivia no povoado de Olhos d’Água de Souza, onde a vida seguia o ritmo do sertão. Mas de vez em quando, a cidade grande chamava. E a cidade grande, para nós, era Paulo Afonso.


Nesse dia especial, todos nós embarcamos na velha Fubica da Ford, de Seu Pereira, nosso transporte de confiança para as raras idas à cidade. O motivo era grandioso: íamos tirar as tão sonhadas fotografias para eternizar nossa família. Meus pais, Neco Miguel e Dona Liô, decidiram que o melhor lugar para isso era o Foto Gomes, o mais afamado da cidade. O estúdio, para os olhos de quem vinha da roça, era um mundo mágico: cortinas de veludo, iluminação profissional e brinquedos cenográficos para os pequenos.


A pose era coisa séria. Lúcia, Leide e Vieira, já crescidos, queriam fotos dignas de artistas de fotonovela, com olhares misteriosos e poses ensaiadas. Eu, Gilmar, e Gene, ainda crianças, tivemos um desafio diferente: posar nos brinquedos do estúdio. Enquanto Gene montava num cavalo de pau, até  hoje, a foto dele montado o cavalo de pau, com a cabeça maior do que o brinquedo é motivo de risos até hoje,  e eu, Gilmar fui escolhido para sentar num bode empalhado, que fazia parte do cenário. fazendo pose de vaqueiro em cima do bode, mal sabíamos que, décadas depois, essas fotos virariam motivo de piada e risos entre nós.


Depois do grande evento fotográfico, a tradição sertaneja seguiu seu curso: fomos experimentar as delícias da cidade. Primeiro, um picolé na sorveteria de João Mariano. O gelo derretendo na boca era uma novidade para quem vinha da terra quente. Depois, a consagração final da viagem: sanduíche misto e vitamina de banana na Palmeiras Lanches, de Seu Nego.


Para nós, aquilo era como ir à Disneylândia. As luzes da cidade, os sabores inéditos, o clique das câmeras, tudo parecia um sonho. E de certa forma, ainda parece. O tempo passou, mas aquela viagem continua viva na memória. A foto da família ainda resiste ao tempo, e toda vez que nos reunimos, rimos das poses cheias de charme e dos brinquedos do estúdio.


Aquele dia foi mais que uma ida a Paulo Afonso. Foi um marco na nossa história, uma lembrança eternizada em retratos e corações.



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