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Paulo Afonso,27/10/2026

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Gilmar Teixeira

O CERCO SE FECHA: DIREITOS SOCIAIS ENTRAM NO CENTRO DO DEBATE ELEITORAL

📸: Gilmar Teixeira
O CERCO SE FECHA: DIREITOS SOCIAIS ENTRAM NO CENTRO DO DEBATE ELEITORAL

À medida que se aproxima um novo ciclo eleitoral no Brasil, cresce também o debate sobre os diferentes projetos de país que deverão ser apresentados à população. Em meio à polarização política, uma questão merece atenção especial: qual modelo de governo será capaz de garantir políticas públicas destinadas às parcelas mais vulneráveis da sociedade?


O debate ultrapassa a escolha de nomes ou partidos. Envolve temas como educação pública, assistência social, geração de emprego, direitos humanos, inclusão racial, acesso às universidades e institutos federais, programas de permanência estudantil e políticas destinadas às populações de baixa renda.


Para milhões de brasileiros, especialmente pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, estudantes de escolas técnicas e universidades públicas e famílias que dependem de programas governamentais, as decisões tomadas em Brasília têm consequências concretas no cotidiano. Bolsas de estudo, alimentação escolar, financiamento educacional, assistência estudantil, programas de transferência de renda e investimentos em saúde e educação podem significar a diferença entre a permanência ou a interrupção de um projeto de vida.


É nesse cenário que setores progressistas manifestam preocupação com o crescimento de forças políticas identificadas com posições conservadoras e com propostas que, segundo seus críticos, poderiam reduzir a participação do Estado na promoção de políticas sociais. Essas críticas, entretanto, precisam ser confrontadas com propostas concretas, programas de governo e decisões efetivamente tomadas por cada grupo político.


O alerta, portanto, deve ser dirigido à sociedade para que o processo eleitoral seja acompanhado com atenção. Mais do que discursos inflamados, é necessário observar quais candidatos defendem investimentos permanentes em educação, ciência e tecnologia, universidades e institutos federais, saúde pública, segurança alimentar, moradia, emprego e proteção social.


A população mais pobre no centro da discussão


A população negra e as comunidades de baixa renda continuam enfrentando desafios históricos relacionados ao acesso à educação, ao mercado de trabalho, à renda e a outros direitos fundamentais. Por isso, políticas de inclusão e igualdade de oportunidades permanecem no centro das discussões sobre o futuro do país.


Para estudantes que dependem de apoio governamental para permanecer na universidade ou no ensino técnico, qualquer mudança significativa nas políticas de financiamento e assistência pode produzir efeitos profundos.


A eleição, nesse sentido, representa também uma escolha sobre prioridades. O eleitor precisa perguntar: qual projeto pretende ampliar oportunidades para quem historicamente teve menos acesso a elas? Qual proposta pretende fortalecer a educação pública? Quem apresenta medidas concretas para diminuir as desigualdades sociais e regionais?


Democracia exige participação


O texto que inspira esta reflexão também recupera as experiências traumáticas de 1964 e do período da ditadura militar brasileira, além das crises políticas mais recentes. Essas referências lembram que a democracia não deve ser considerada uma conquista definitiva e imune a riscos.


Ao mesmo tempo, qualquer mobilização política precisa ocorrer dentro dos princípios democráticos, respeitando o direito à manifestação, o pluralismo político, a liberdade de expressão e, sobretudo, a rejeição à violência e às rupturas institucionais.


Partidos, sindicatos, movimentos sociais, entidades estudantis, organizações comunitárias e cidadãos independentes têm papel importante nesse processo. A participação popular, quando exercida de forma pacífica e democrática, constitui instrumento fundamental para fiscalizar governos, apresentar reivindicações e defender direitos.


Soberania, direitos humanos e justiça social


Entre as bandeiras colocadas no centro dessa discussão estão a soberania nacional, os direitos humanos e a justiça social. São princípios que podem servir como referências para avaliar diferentes projetos políticos.


O desafio está em transformar essas bandeiras em propostas concretas: uma educação pública de qualidade, universidades acessíveis, valorização da ciência, políticas de inclusão, redução da pobreza, geração de empregos, fortalecimento do Sistema Único de Saúde, combate à fome e respeito às instituições democráticas.


O Brasil chegará às próximas eleições diante de escolhas importantes. O eleitor terá a responsabilidade de analisar propostas, comparar trajetórias e verificar quais projetos realmente atendem às necessidades da população.


Mais do que temer este ou aquele grupo político, é necessário conhecer suas propostas, cobrar compromissos e participar do processo democrático.


Porque democracia não se constrói apenas no dia da eleição. Ela se constrói diariamente, quando a sociedade acompanha o poder público, defende seus direitos, combate desigualdades e exige que nenhum brasileiro seja deixado para trás.


Gilmar Teixeira



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