Gilberto Santana
Desculpa Deus
Fogueira de São JoàoDesculpa Deus
23/06/2026
Primeira noite de São João que minha alma arde junto à fogueira.
A labareda sopra quente, uma dor jamais sentida...
A noite mais especial do ano, não se revela estrelada porque a nossa estrela subiu aos céus e hoje o céu de São João é escuro, assim enxergo, sinto, não há balões nem baiões.
Meu coração é uma zabumba batendo no ritmo de dor no compasso de saudades.
A lembrança do riso mais franco e verdadeiro que o mundo conheceu.
Me perdoe a divindade, mas essa noite estoura o meu peito de reclame de vossa vontade sagrada.
Não sei se apenas Lázaro merecia ter a pedra da tumba retirada.
Minha insubordinação própria da prova coletiva que atravessamos.
A presença da ausência é mais forte que meu aparelho sensitivo.
Perdão São João, hoje essa noite não é como outras, não há legitimidade, nem espontaneidade, a alegria me abandonou, só o tum tum tum sem acorde, sem conotação musical, sem brilho nos olhos.
Sem a luz que iluminava toda nossa família, é difícil pensar que um dia as palavras foram amigas e hoje até elas me deixaram...
Não sei se são justas ou razoáveis, sei que são quentes como essa fogueira que apesar de queimar, não aquece minha alma...
Desculpa Deus.




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