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Paulo Afonso,06/11/2026

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Emiliano José

Encontro de sonhos e lutas antigas com o colorido e a generosidade da juventude

📸: Gerada por IA
Encontro de sonhos e lutas antigas com o colorido e a generosidade da juventude

Seguindo essa trilha, quase um desabafo face à estupenda vitória conquistada nesse 25 de Outubro, já data maiúscula, a permanecer na história como um momento essencial de enfrentamento do fascismo no mundo. O império norte-americano contava fechar as portas da América Latina, transformá-la impiedosamente no quintal dele, e desse quintal fazer o quem bem quisesse. Não pôde. 


Nosso povo, impulsionado pela juventude, cantou cantiga brava, desfilou pelas ruas, campo e cidade, não parou de cantar o terreiro lá de casa não se varre com vassoura varre com ponta de sabre bala de metralhadora...


Não se assustem. 


Metralhadoras eram a disposição de luta, a certeza do significado da chegada do fascismo, com todo o ódio dele, com a violência, com o espírito assassino presente na alma bolsonarista, a necessidade imperiosa de contê-lo. O risco representado pelo fascismo incendiou o coração da nossa gente e levou todo mundo às ruas e às redes, ao incrível e essencial exército do Janones.


Metralhadoras eram a necessidade de manutenção das políticas públicas, da democracia, respeito as leis, defesa do Estado de Direito, cuidado com os mais velhos, de afastar para sempre o espectro da ditadura, a nos espreitar, como no 8 de Janeiro de 2023 e nas declarações do próprio candidato derrotado, e agora devidamente caracterizado como fujão. 


Um pai preso, por golpista. Um irmão, também fujão, condenado. Ele agora, em fuga. Os EUA, sob Trump, valhacoito de corruptos, de traidores da pátria, e notórios covardes, a abandonar a tropa deles sob a chuva e o sol, sem eira, nem beira. Que família é esta, hein? Não há dignidade, não há coragem, não há ética, nada. Abandonam até o pai ao deus-dará. 


Num dos capítulos recentes, eu dizia do encontro de gerações. Uma movimentação essencialmente espontânea, nascida da alma de nossa gente, de corações incendiados de resistência e esperança, envolvendo amplos contingentes do povo brasileiro. 


Movimento nitidamente pluriclassista, indo dos trabalhadores mais pobres a todos os assalariados, às camadas médias incluídas,  aqueles com alguma visão democrática de mundo, pessoas mais ricas, não tantas, uma frente ampla construída desde baixo, e não por ordem de nenhum comando, o que não quer dizer estar a direção da campanha ausente de tudo isso, mas, é preciso dizer, em posição subalterna. A iluminar tudo, a estrela de Lula, a nunca perder o brilho. 


Comovente mesmo, profundamente comovente, fenômeno a ser estudado foi o voto de seu Sebastião, o nome encontrado por mim para ilustrar o voto de pessoas, não digo de mais de 60 anos não, digo daqueles com mais de 80, de 90, até de mais de 100 anos. 


Sebastião dos Santos, chegado já aos 100 anos, morador da Tapera do Sol, povoado baiano, queria porque queria votar, dar um voto em Lula. Dia 24, chamou o neto, voz firme ainda, e disse do desejo. O neto, já homem feito a cuidar de pequena roça, dia seguinte, arriou o burro na carroça, ajeitou o velho na traseira, deitado, cuidando de colocar um colchão velho e um travesseiro para deixá-lo confortável, e tocou para a cidade. 


Nem longe demais, nem perto, a pequena cidade. 


O sol já principiava a castigar naquelas primeiras horas do dia, e estava mais quente quando a carroça adentrou os paralelepípedos urbanos. 


O neto, Jerônimo dos Santos, ajudou o velho a descer da carroça, e o amparou até a sessão dele. Jerônimo sentia-se feliz ao olhar, apenas olhar, para a expressão de profunda felicidade do avô ao caminhar lentamente para dar aquele voto, dar aquela vitória a Lula. 


Jerônimo lembrou-se dos tempos de menino, da energia daquele avô, do empenho dele na lavoura, dos ensinamentos recebidos, de tanta sabedoria transmitida, e nada acontecesse, ainda tudo desse errado, e só aquele olhar de felicidade do avô lhe bastaria para fazer daquele dia o mais venturoso da vida.


Passo a passo, o velho Tião seguia, como se olhasse para uma lavoura verdejante, como se acreditasse, e acreditava, ter o voto dele o poder de garantir a vitória do presidente. 


Sentia-se amparado pelo neto, sentia-se bem de contar com Jerônimo naquela idade, de ter a solidariedade dele para cumprir o desejo. 


Seria o último voto dele, imaginava assim, embora no íntimo ainda pensasse em viver um pouco mais. 


O último e decisivo voto. 


Digitou 13, e ouviu o barulhinho. Não sabe por que, mas foi como se ouvisse o sino das 18 horas tocado pelo padre quando estava na cidade. Como se ouvisse a Ave-Maria. Ouviu anjos cantando ao redor dele, já certo da vitória - com o voto dele. 


Lula, no dia do aniversário, quando já eleito, chorou ao falar de Sebastião, podia ser João, Raimundo, José, ser Mateus, um da Silva, um dos Santos, incontáveis pessoas sendo carregadas por netos, por netas, até tetraplégicos.


Chorou emocionado ao relembrar essa multidão, esse incrível exército, e esse encontro de gerações. Os mais velhos, ao votar, carregavam na memória os heroicos e brutais momentos de combate à ditadura de 1964, tão incensada pela família golpista e fujona, das tantas dificuldades da vida, da recuperação do País pelos governos Lula e Dilma, e não iam deixar o fascismo retornar. 


Os mais jovens, os netos, que trouxeram tanto colorido a esse segundo turno, fizeram acordar tantos, honraram a memória da resistência, homenagearam aquelas vidas. 


No ocaso da existência, no outono da vida, os mais velhos semearam primaveras, contribuíram decisivamente para a derrota do fascismo. Na Bahia, nas cerimônias do candomblé, é costume, obrigação de qualquer um, quando for usar da palavra, pedir licença aos mais velhos.  E só depois, se quiser, pedir licença também aos mais jovens.


Peço licença a Sebastião para agradecer pelo voto dele, dar-lhe um abraço afetuoso. E abraçar também Jerônimo. Foi um maravilhoso encontro de gerações, a dar um novo colorido o Brasil, firmar o presente, desenhar o futuro. Tornou possível unir novamente o País, acabar, é esperança, com o clima de ódio estimulado pela família de covardes, golpistas e fujões. Vamos nos abraçar para seguir melhorando a vida da nossa gente, Lula à frente. 

#vidamorte



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