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Paulo Afonso,06/11/2026

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Gilmar Teixeira

A PERFEIÇÃO DE QUEM NUNCA DESISTE DE EVOLUIR

📸: Gilmar Teixeira
A PERFEIÇÃO DE QUEM NUNCA DESISTE DE EVOLUIR
Existe uma diferença muito grande entre buscar a perfeição e exigir de si mesmo uma vida sem erros. A primeira atitude nos impulsiona a crescer; a segunda pode nos aprisionar em uma cobrança interminável, capaz de roubar a beleza de cada conquista e a serenidade de reconhecer nossas próprias limitações.

A vida não é uma obra pronta, exposta em uma galeria para receber aplausos. É uma construção permanente, feita de escolhas, experiências, acertos, tropeços e recomeços. Somos, ao mesmo tempo, os autores e os personagens de uma história que se modifica a cada página escrita. E, nessa caminhada, nem sempre acertamos o caminho, mas sempre podemos aprender alguma coisa com a estrada percorrida.

Buscar a perfeição, portanto, não significa alimentar a ilusão de que um dia seremos seres humanos impecáveis. Significa compreender que sempre haverá algo a melhorar em nós: uma palavra que poderia ter sido mais amável, uma atitude que merecia mais prudência, um julgamento que precisava de mais empatia ou uma decisão que exigia mais coragem.

A verdadeira evolução começa quando deixamos de enxergar nossos erros apenas como motivos de vergonha e passamos a reconhecê-los como oportunidades de aprendizado. Isso não significa justificar nossas falhas, mas assumir a responsabilidade por elas. Afinal, amadurecer é ter humildade para reconhecer quando estamos errados e coragem para mudar aquilo que não nos faz bem.

Há pessoas que passam a vida inteira tentando demonstrar que são perfeitas. Escondem suas fragilidades, disfarçam suas dúvidas e têm dificuldade de pedir desculpas, como se admitir um erro diminuísse o seu valor. Esquecem-se de que a grandeza humana não está na ausência de defeitos, mas na disposição de enfrentá-los com honestidade.

Ninguém se torna melhor fingindo que já sabe tudo. Crescemos quando ouvimos, quando questionamos nossas próprias certezas, quando aceitamos aprender com aqueles que pensam diferente de nós e quando compreendemos que a experiência de viver também exige a capacidade de rever conceitos.

É preciso entender que a perfeição absoluta não combina com a natureza de quem está vivo. Viver é mudar, experimentar, descobrir, perder, conquistar e recomeçar. O que hoje parece uma certeza pode amanhã exigir uma nova reflexão. Aquilo que ontem não compreendíamos pode se tornar uma lição indispensável no futuro.

Por isso, não devemos transformar a busca pela perfeição em um peso sobre nossos ombros, mas em uma bússola que nos ajude a encontrar a direção. A bússola não exige que cheguemos ao destino de uma só vez; apenas nos orienta para que não percamos de vista o caminho que desejamos seguir.

E quando cairmos? Que tenhamos humildade para reconhecer a queda, sabedoria para compreender suas causas e força para nos levantarmos. Cair não é, necessariamente, fracassar. Às vezes, o fracasso verdadeiro acontece quando permitimos que uma derrota nos convença de que já não somos capazes de tentar novamente.

A vida nos ensina que algumas das maiores transformações nascem justamente dos momentos mais difíceis. Há dores que nos tornam mais sensíveis, perdas que nos ensinam a valorizar a presença, decepções que nos ajudam a enxergar melhor as pessoas e dificuldades que revelam forças que desconhecíamos possuir.

Isso não significa que precisamos sofrer para amadurecer, mas que podemos encontrar aprendizado até nas experiências que jamais escolheríamos viver.

Também precisamos compreender que a evolução não deve ser medida apenas pelas grandes conquistas. Muitas vezes, ela se revela nos pequenos gestos: em uma resposta mais paciente, no perdão oferecido sem humilhação, na capacidade de ouvir sem condenar, no respeito às diferenças e na disposição de fazer o bem mesmo quando ninguém está olhando.

Talvez a maior forma de perfeição que possamos alcançar seja justamente essa: tornarmo-nos, a cada dia, seres humanos um pouco melhores do que fomos ontem.

Não melhores do que os outros, porque a vida não é uma competição de virtudes, mas melhores em relação às nossas próprias limitações. Que a comparação mais importante seja aquela que fazemos com a pessoa que fomos, reconhecendo o que aprendemos, o que superamos e aquilo que ainda precisamos transformar.

A perfeição não deve ser o ponto final da nossa existência, mas o horizonte que nos inspira a continuar caminhando. Porque, enquanto houver vida, haverá a possibilidade de aprender; enquanto houver consciência, haverá espaço para mudar; e enquanto houver humildade, haverá oportunidades de crescimento.

No fim das contas, não seremos lembrados apenas pelo número de vezes em que acertamos, mas também pela maneira como tratamos as pessoas, pela coragem com que enfrentamos as dificuldades e pela disposição de corrigir nossos erros.

A vida não exige que sejamos perfeitos. Ela nos oferece, a cada amanhecer, a oportunidade de sermos melhores.

E talvez seja essa a mais bonita lição da existência: não precisamos chegar ao fim da jornada sem nenhuma cicatriz; precisamos chegar com a consciência de que aprendemos com as quedas, amadurecemos com as experiências e nunca desistimos de evoluir.

Porque a verdadeira perfeição humana não está em nunca falhar, mas em conservar a humildade para aprender, a coragem para recomeçar e a sabedoria para compreender que ainda temos muito a melhorar.

Gilmar Teixeira
Historiador, cronista e escritor


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