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Paulo Afonso,30/08/2026

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ABRAES inicia encontro em Floresta com homenagem aos 100 anos da Chacina da Família Gilo

Comandante da 1ª Companhia de Infantaria conheceu as instalações da instituição e destacou a importância da preservação da memória e da cultura de Paulo Afonso

Gilmar Teixeira
ABRAES inicia encontro em Floresta com homenagem aos 100 anos da Chacina da Família Gilo Homenagem às vitimas do Massacre da Família Gilo

ABRAES inicia encontro em Floresta com homenagem aos 100 anos da Chacina da Família Gilo


Abertura do encontro da Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino foi marcada por emoção, memória e reencontro de pesquisadores, escritores e estudiosos da história do sertão


A cidade de Floresta, no Sertão de Pernambuco, viveu nesta sexta-feira, 28 de agosto de 2026, um momento de grande significado histórico e cultural com a abertura do encontro da Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino (ABRAES). A programação teve como ponto alto uma emocionante homenagem pelos 100 anos da Chacina da Família Gilo, episódio ocorrido em 1926 e relacionado à passagem de Lampião e seu grupo pela região.


A programação reuniu familiares dos Gilos, escritores, historiadores, pesquisadores, membros da ABRAES e estudiosos do cangaço, em um momento dedicado à preservação da memória de um dos episódios mais marcantes da história do sertão pernambucano.


Durante o confronto, a família Gilo ofereceu forte resistência ao ataque dos cangaceiros. Segundo os registros históricos utilizados pelos estudiosos do episódio, 13 integrantes da família foram mortos, enquanto, do lado dos cangaceiros, seis homens morreram e outros dois ficaram feridos.


Um século depois, a memória permanece


Exatamente um século depois da tragédia, o local voltou a receber familiares, pesquisadores e admiradores da história sertaneja para um ato de memória. Um dos momentos mais simbólicos foi o descerramento de uma placa em homenagem às vítimas, transformando oficialmente o espaço em um lugar destinado à preservação da memória daquele episódio.


A iniciativa foi oficializada pela historiadora Luma Holanda e pelo presidente da ABRAES, Leonardo Gominho, que destacou a importância de preservar lugares, histórias e personagens que fazem parte da trajetória do Sertão nordestino.


O momento foi marcado por muita emoção, foi  realizado um momento ecumênico, celebrado  pelo Bispo André Nunes, membro da ABRAES, e contou especialmente pela presença de descendentes da família Gilo e de pesquisadores que, ao longo dos anos, vêm contribuindo para o estudo e a documentação da história do cangaço.


Mais do que recordar uma tragédia ocorrida há cem anos, a homenagem representa a construção de um espaço de memória, permitindo que novas gerações conheçam os acontecimentos e compreendam a complexidade histórica e social do sertão daquela época.


Café tradicional nordestino celebra a memória e a hospitalidade


Após a solenidade, os participantes foram recebidos pelos descendentes da família Gilo na residência de Dona Dejinha, onde foi servido um tradicional e saboroso café nordestino.


O momento proporcionou confraternização entre familiares, acadêmicos, escritores e pesquisadores, mantendo viva uma das características mais marcantes da cultura sertaneja: a hospitalidade.


Entre conversas, lembranças e relatos históricos, o café tornou-se também uma extensão da homenagem, aproximando os visitantes das tradições e da memória familiar dos descendentes dos Gilos.


ABRAES promove reencontro de estudiosos do Sertão


À noite, a programação prosseguiu com um jantar oferecido pela Academia Brasileira de Estudos do Sertão Nordestino (ABRAES) aos seus membros e acompanhantes que participam do encontro em Floresta.


O jantar foi marcado pela confraternização e pelo reencontro de acadêmicos vindos de diferentes estados nordestinos.

Durante a realização do jantar, foi empossado o mais novo membro da ABRAES, o pesquisador Louro Teles, e concedida ao Professor Pereira, a comenda do vaqueiro, honraria concedida aos grandes nomes da história, e da pesquisa nordestina, foi entregue pelo vaqueiro da ABRAES, o genealogista  Nivaldo Carvalho, e confeccionado pela confreira e artesã, Célia Maria. 

 Escritores, pesquisadores e estudiosos que têm no Sertão seu campo de pesquisa e inspiração puderam compartilhar experiências, fortalecer amizades e celebrar a produção cultural e histórica nordestina.


O encontro da ABRAES reafirma, assim, seu papel na valorização da história, da literatura, da cultura e da memória do Sertão Nordestino.


Sertão de Bravos III será lançado neste sábado


A programação continua neste sábado, 29 de agosto, com atividades durante todo o dia, incluindo palestras, encontros e debates voltados à história e à cultura sertaneja.


Um dos momentos mais aguardados será o lançamento de “Sertão de Bravos III”, coletânea que reúne trabalhos de membros da ABRAES e que representa mais uma contribuição da Academia para a preservação e divulgação da memória, da literatura e dos estudos sobre o Sertão Nordestino.


O lançamento acontecerá dentro da programação festiva da Academia, reunindo autores, pesquisadores, familiares e convidados em mais um momento de celebração da cultura sertaneja.


Em Floresta, onde a história permanece presente em cada caminho, cada fazenda e cada memória familiar, a ABRAES inicia seu encontro justamente reafirmando uma de suas principais missões: estudar, registrar, preservar e transmitir às novas gerações as histórias de um Sertão que jamais pode ser esquecido.


* Gilmar Teixeira




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