Gilmar Teixeira
O COLEPA Nunca Saiu de Nós
Comissão de frente no desfile de ex-alunos do COLEPAO COLEPA Nunca Saiu de Nós
Todo aniversário de Paulo Afonso me leva de volta no tempo.
Hoje moro em Feira de Santana. A vida me trouxe para outras paisagens, outras ruas, outros compromissos. Mas basta chegar o dia 28 de julho para que a distância desapareça e eu volte a caminhar, mesmo que apenas pela lembrança, pelas calçadas da minha querida Paulo Afonso.

A tecnologia, que encurtou tantos caminhos, me permite assistir ao desfile cívico pela televisão, através da internet. E, confesso, meu coração acelera quando sei que está chegando a vez dos ex-COLEPANOS desfilarem. Não vejo apenas um grupo marchando. Vejo a minha própria juventude passando diante dos meus olhos.
Cada uniforme desperta uma lembrança. Cada toque da banda marcial faz ecoar um tempo em que os sonhos pareciam infinitos. Cada baliza que gira seu bastão faz renascer um pedaço da nossa adolescência, aquela fase em que a felicidade morava nas coisas mais simples.
O COLEPA nunca foi apenas um colégio.
Foi um templo da educação, construído pela CHESF para formar os filhos de seus funcionários e, depois, abraçando toda a cidade. Ali estudavam meninos e meninas que, sem saber, estavam construindo o próprio futuro. Os professores, vindos de diversas regiões do Brasil, ensinavam muito mais do que as disciplinas. Ensinavam valores, disciplina, respeito, amizade e amor pelo conhecimento.

O aprendizado não terminava quando o sinal tocava. Continuava nas olimpíadas estudantis, nos jogos da quadra, nas apresentações culturais, nas excursões, nas aulas de campo, nas conversas pelos corredores e nas amizades que atravessariam décadas.
O COLEPA preparava profissionais, mas, acima de tudo, preparava seres humanos.
Quando seus portões se fecharam, parecia que um capítulo importante da história de Paulo Afonso havia chegado ao fim. O silêncio tomou conta das salas onde antes havia risos, sonhos e esperanças. Parecia que tudo havia acabado.
Mas há instituições que não vivem apenas em seus prédios.
Vivem nas pessoas.

E foi exatamente isso que aconteceu. Os ex-alunos recusaram-se a permitir que aquela história desaparecesse. Vestiram novamente o uniforme, empunharam as bandeiras, reorganizaram a banda, reuniram velhos amigos e devolveram ao COLEPA aquilo que nunca lhe poderia ser tirado: a sua alma.
Hoje, quando eles desfilam nas comemorações da emancipação política de Paulo Afonso ou no Sete de Setembro, não representam apenas uma escola. Representam uma geração inteira. Representam uma época em que a educação era motivo de orgulho, em que os professores eram referências e em que estudar significava abrir portas para o mundo.
Depois do desfile, o reencontro no velho CPA parece completar um ritual sagrado. As músicas dos anos 80 embalam abraços demorados, histórias repetidas com o mesmo entusiasmo e gargalhadas que insistem em desafiar o tempo. Por algumas horas, ninguém envelhece. Todos voltam a ser aqueles estudantes que acreditavam que a vida inteira caberia dentro dos corredores do COLEPA.

Talvez seja esse o verdadeiro significado da saudade.
Ela não nos faz viver no passado. Apenas nos lembra que fomos felizes. E quem foi verdadeiramente feliz nunca perde esse tempo. Ele permanece guardado em algum lugar da alma, esperando apenas um desfile, uma fotografia, uma velha canção ou o rufar de um tambor para despertar novamente.
O COLEPA pode até não existir mais como escola.
Mas continua existindo como sentimento.
E enquanto houver um ex-COLEPANO capaz de marchar com o peito estufado, de cantar o hino da escola com os olhos marejados ou de contar aos mais jovens o orgulho de ter estudado ali, o COLEPA jamais deixará de existir.

Porque algumas escolas formam alunos.
Outras formam gerações.
O COLEPA formou uma família que o tempo nunca conseguiu separar.
Gilmar Teixeira




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